“A eleição para presidente dos EUA é um dever. Uma obrigação”

Desde 1945 a votar na eleição para presidente dos EUA, Manuel Pedroso, aos 101 anos, exerceu o direito de voto na Fox Point School em Providence

“Desde 1945 que participo na eleição para presidente dos EUA. Acho que é um dever. Uma obrigação. A participação de todo o cidadão, sem exceção. Assim se as coisas não correrem dentro dos nossos desejos, se votámos temos de admitir. Se não votamos não podemos nem devemos criticar”.

Nasci na América. Fui para Portugal com 3 anos. Regressei aos EUA em 1942”, sublinha Manuel Pedroso, que teima em fazer história. Aos 101 anos de idade dá lição de civismo quando pelas 3:30 horas da tarde do dia 3 de novembro de 2020 se apresentou na Fox Point School, para exercer o direito de voto.

Estava acompanhado pela esposa Maria Pedroso de 95 anos, a filha Eilleen Afonso e a neta Diana Marie Afonso. “Mais um dia extraordinário na história de vida do meu avô… o primeiro presidente dos EUA em que o meu vôvô votou foi no presidente Truman em 1945. Hoje, 75 anos depois, com todo o seu orgulho americano, voltou a exercer o direito de voto”, diz-nos Diana Marie Afonso, neta daquela notável figura, que passados 65 anos se viu obrigado a encerrar o popular Friends Market, em Providence, motivado pelo Covid-19.

Manuel Pedroso nasceu a 18 de novembro de 1919 em New Bedford. Com a idade de 3 anos, em companhia de um irmão e os pais, António Pedroso e Maria Constância foram para Portugal.  Cresceu em Alvados, Porto de Mós. Frequentou e concluiu a Escola Comercial e Industrial Domingos Sequeira em Leiria.

Como que inspirado pelo presidente Roosevelt, decidiu regressar aos EUA em 1942. “Estava no poder Franklin Roosevelt, que se manteve na presidência até ao ano de 1945. Como era americano, registei-me para votar. E mesmo naquele ano votei nas eleições que levaram à vitória Harry S. Truman. (1945-1953). Encarei o ato com toda a responsabilidade. E quando abri o Friends Market sempre entusiasmei os portugueses a adquirir a cidadania americana, a registarem-se e a irem exercer o direito de voto.

Os portugueses não foram criados dentro destes princípios de votação que levava à escolha do presidente da nação. Mas a nação que os acolheu, que lhes abria os braços, que lhe uma vida melhor, deu-lhe a liberdade de poder votar.

Claro após satisfeitos os requisitos obrigatórios. Tal como eu também tive de satisfazer. O presidente Truman concluiu o mandato e é eleito Dwight Eisenhower (1953-1961). Segue-se John F. Kennedy (1961-1963). Fim fatídico. Situação muito sentida na comunidade. Primeiro, nasceu em Brookline, Ma. (Boston). E depois passava o verão e parte do outono em Hyannis Port. Cape Cod. Seguiu-se Lyndon Johnson (1963-1969), Richard Nixon (1969-1974), Gerald Ford (1974-1977), Jimmy Carter (1977-1981), George H.W. Bush (1989-1993), Bill Clinton (1993-2001), George W. Bush (2001-2009), Barack Obama (2009-2017), Donald Trump (2017-2021).

São 75 anos entre os 101 da minha vida em que tenho a honra de dar o meu contributo para a eleição dos presidentes dos Estados Unidos.

Por vezes ouvimos dizer “não vou votar, que um voto não faz diferença. Errado. Mesmo muito errado. Por um voto pode ganhar-se ou perder-se uma eleição. E esse voto pode ser o seu. Sendo assim, se pode, nunca se esqueça de votar”, concluiu Manuel Pedroso uma, “instituição” a virar a página 101 de uma vida dedica a defender a língua e a cultura portuguesas através do seu estabelecimento, onde tinha sempre a seu lado um livro, uma revista que ilustrasse o valor do nosso Portugal.

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