Brasil: Museu da Língua Portuguesa reabre ao público no dia 1 de agosto.

O Museu da Língua Portuguesa, no histórico edifício da Estação da Luz, no coração de São Paulo, será reinaugurado no dia 31 de julho, quase seis anos depois do incêndio que destruiu dois andares do prédio e causou a morte a um bombeiro.

O presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, já confirmou a presença na cerimónia de reabertura. A missão do equipamento mantém-se inalterada: enaltecer e divulgar a beleza e a riqueza da Língua Portuguesa.

No dia seguinte, o museu que recebeu quase quatro milhões de visitantes entre 2006 e 2015 (desde que foi fundado até que foi encerrado) volta a abrir as portas ao público com “Língua Solta”, uma mostra com 180 peças que, de acordo com a apresentação no portal do museu, é “composta por um conjunto de artefactos que ancoram os seus significados no uso das palavras, como objetos da arte popular e da arte contemporânea, apresentados de maneira embaralhada, levando o público a pensar nessa divisão e em outros entendimentos possíveis para o Mundo”. A par com esta mostra temporária, o museu exibirá o acervo permanente, agora num formato renovado, tirando partido da tecnologia para interagir com os visitantes.

Mas essa não é a única novidade. O escritor português José Saramago, Nobel da Literatura em 1998, é evocado através de um vídeo, com uma das suas frases axiomáticas: “Graças à palavra o Mundo parece ter um sentido”. Essa palavra dita em português é falada por 261 milhões de pessoas no Mundo. E é também esse o desafio agora lançado pelo museu: pensar na importância e na história de uma língua que é partilhada por uma comunidade tão extensa – é o quinto idioma mais falado no Mundo.

Outra novidade é o terraço-miradouro. São 262 metros quadrados com vista para a cidade a partir de um terceiro andar até agora inacessível. O terraço será batizado com o nome do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha (1928-2021) – também homenageado este domingo no Congresso de Arquitetura [ler caixa] -, a quem pertence todo o projeto de interiores do museu, incluindo o corredor com 106 metros de comprimento onde está instalada a Rua da Língua, e onde a erudição convive com o popular e o poema com o provérbio.

Num outro andar brilha uma escultura do poeta e compositor Arnaldo Antunes, considerado pela revista “Rolling Stone” como um dos cem maiores artistas de música brasileira. A obra de Antunes, que é também artista plástico, é uma reflexão sobre as mutações, adaptações e influências que a língua vai sofrendo.

Para trás fica agora o incêndio de 21 de dezembro de 2015 e, quase 70 anos antes, em 1946, um primeiro incêndio que também causou prejuízos incalculáveis, razão pela qual hoje todos os tetos têm chuveiros com sensores automáticos. A reconstrução e restauro deste espaço ficaram concluídas em dezembro de 2019, tendo sido a inauguração adiada apenas por causa da pandemia. A obra custou 14 milhões de euros, suportados pelos governos de Portugal e do Brasil e por duas instituições provadas (EDP e Fundação Roberto Marinho).

 

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