Cabo Verde. Governo pede apoio do Luxemburgo para reforçar formação profissional

O Governo cabo-verdiano apelou ao Luxemburgo para aumentar o apoio ao programa de formação profissional financiado pela cooperação luxemburguesa, face aos resultados obtidos na redução do desemprego jovem de 2016 a 2019.

“Daí o nosso apelo ao Luxemburgo no sentido de colocarmos mais meios neste setor e de acelerarmos as ações para que possamos criar novos empregos, novas oportunidades. Isso, atendendo à necessidade de diversificarmos a economia cabo-verdiana, com investimento no Turismo, mas também na Economia Digital, na Economia Azul, Economia Verde e em tudo aquilo que tem a ver com a transição energética, a mobilidade elétrica”, afirmou Olavo Correia.

O vice-primeiro-ministro participou, na Praia, na reunião final do Comité de Pilotagem do Programa Emprego e Empregabilidade, implementado ao abrigo do IV Programa Indicativo de Cooperação (PIC) 2016/2021, financiado pelo Luxemburgo e executado pelo Governo de Cabo Verde.

“Esses setores vão exigir novas competências, novas capacidades e nós temos de criar as condições para que os jovens cabo-verdianos possam ter acesso à formação profissional nessas áreas que são relevantes para promover a diversificação da economia cabo-verdiana”, apontou Olavo Correia.

O governante acrescentou a necessidade de “um novo modelo de financiamento de formação profissional” em Cabo Verde: “Para, precisamente, garantirmos que todos os jovens, independentemente de os pais terem rendimento ou não, possam ter acesso à formação”.

Neste âmbito, disse, será utilizado o V PIC (Luxemburgo/Cabo Verde), que vai estar em vigor de 2021 a 2026, para a formação.

“Criando as condições para que as instituições profissionais sejam instituições bem governadas e estáveis e possam criar condições para uma formação profissional de qualidade, nas áreas relevantes, em todas as ilhas de Cabo Verde”, reconheceu.

O novo PIC, assinado em julho de 2020 pelos governos do Luxemburgo e de Cabo Verde, terá uma componente de apoio financeiro luxemburguês de 78 milhões de euros, para várias ações e programas estratégicos de desenvolvimento, aumentando 20 milhões de euros face ao anterior. O Luxemburgo prevê, em concreto, apoiar o setor do emprego e empregabilidade em Cabo Verde com 10 milhões de euros até 2026.

“Há um compromisso do Luxemburgo em aumentar o envelope de financiamento para reforçar o programa do Emprego e Empregabilidade. Deste modo, podermos fazer mais e melhor para os jovens cabo-verdianos nas áreas da educação, da formação profissional e da empregabilidade”, sublinhou Olavo Correia.

O também ministro das Finanças assumiu que a execução do Programa Emprego e Empregabilidade “foi muito positiva” e destacou o envolvimento do “importante parceiro estratégico que o Luxemburgo tem sido para Cabo Verde”.

“O Luxemburgo confia em Cabo Verde, desenvolve um diálogo técnico e político de alto nível com as autoridades cabo-verdianas e sempre disponível para construir com o Governo de Cabo Verde soluções de futuro. Juntos fizemos muito pelo emprego e empregabilidade, e pelos jovens cabo-verdianos”, enfatizou Olavo Correia.

Entre o que descreve como “resultados palpáveis” e “impactantes” deste programa, o governante aponta a redução do desemprego jovem para metade, ao passar de uma taxa de 41% em 2016 para 25% em 2019.

“Conseguimos aumentar a capacidade de produção de emprego. O peso do emprego informal reduziu-se de 59,6% em 2015 a 53,7% em 2020, mesmo com a pandemia”, notou.

“A promoção e inserção dos jovens no mercado de trabalho são, seguramente, umas das marcas do ciclo 2016-2021 e, indiscutivelmente, melhoraram as condições de acesso ao emprego e ao rendimento, particularmente para a população jovem”, concluiu, admitindo que com a pandemia de covid-19, que mergulhou o arquipélago numa recessão económica histórica de 14,8% em 2020, “muitos desses resultados foram destruídos”.

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