Como se criou a Lusofonia

Abílio Bebiano
Abílio Bebiano
Diretor COMUNIDADES Lusófonas

Na edição de novembro da revista COMUNIDADES Lusófonas queremos dar especial destaque à LUSOFONIA que, no seu todo, representa o conjunto de iden­tidades culturais existentes em países, regiões, estados ou cidades falantes da língua portuguesa como Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, Goa, Damão e Diu, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo.

Firmado o espaço continental por­tuguês com a conquista do Algarve, os últimos reis da primeira dinastia dedi­caram-se ao ordenamento do território nacional: promoveram o povoamento, a exploração agrícola, a criação de estru­turas de comércio, a criação de defesas, etc. Deste modo, a dinastia de Avis pôde empenhar-se em novo processo de expansão territorial, que teve início em 1415 com a tomada de Ceuta.

Seguiu-se a gesta dos Descobrimen­tos, que implicou a descoberta dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, a exploração de ambas as costas de África, a chegada à América do Sul (Brasil) e a várias paragens da Ásia, como Goa, Malaca e Timor.

No processo de formação do Império Colonial Português foram os motivos de ordem económica e político-estratégica que presidiram, aliados a uma certa curiosidade cultural e científica e a um intento de evangelização.

Neste contexto, nem sempre o respeito pela identidade do indígena prevaleceu, mas deve, em todo o caso, reconhecer-se a coragem necessária ao enfrentar o desconhecido, que permi­tiu aos descobridores, exploradores e colonos a criação de alianças e frater­nidades, transformando e deixando-se transformar. Do contacto com os povos encontrados resultou um forte inter­câmbio de produtos, costumes, técnicas, conhecimentos (de medicina, náutica, biologia, etc.), bem como uma inter­penetração mais profunda através da miscigenação.

Este longo processo histórico tem como consequência, na atualidade, uma identidade cultural partilhada por oito países, unidos por um passado vivido em comum e por uma língua que, enriquecida na sua diversidade, se reconhece como una. Estes países – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné­-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste -, com os respetivos núcleos de emigrantes, fazem do idioma português uma das línguas mais faladas do mundo, constituindo uma comunidade de cerca de duzentos e cinquenta milhões de pessoas.

A Lusofonia pode ser também a plata­forma a partir da qual os povos que hoje falam português se poderão aproximar e ampliar o âmbito e a ação da CPLP, fundando a União Lusófona sonhada por Agostinho da Silva e que hoje é um dos pontos centrais da Declaração de Princípios e Objetivos do MIL: Movi­mento Internacional Lusófono.

No passado, salientaram-se gran­des vultos do diálogo intercultural como o Padre António Vieira, da aventura entre povos estranhos como Fernão Mendes Pinto, da exploração do espaço desconhecido como Gil Eanes, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Serpa Pinto.

Hoje, em dia, entre os países lusófo­nos mantêm-se relações privilegiadas na cooperação política e económica, na educação e nas artes. Os grandes criadores da lusofonia não são apenas personalidades portuguesas, mas também (para darmos exemplos da área das Letras) um Pepetela, um José Craveirinha, um Jorge Amado ou um Luandino Vieira.

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