Crise/energia. TAP admite ter de aumentar preço dos bilhetes

A CEO da TAP, Christine Ourmières-Widener, diz duvidar que seja possível não transferir para o consumidor parte da grande escalada dos preços do petróleo.

A easyJet descartou a hipótese de repercutir a alta dos preços dos combustíveis nos bilhetes de avião, considerando que seria “contraproducente” na retoma que se inicia, enquanto a TAP admite que poderá ter essa necessidade.

“Seria contraproducente num momento em que temos que estimular, recuperar a confiança do consumidor, se fossemos obrigados por causa da crise energética a aumentar os preços”, afirmou o diretor da easyJet em Portugal, José Lopes, no 32.º Congresso da Hotelaria e Turismo, promovido pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que decorreu em Albufeira entre 10 e 12 deste mês.

A sustentar esta convicção, José Lopes disse basear-se com o facto de a companhia ‘low-cost’ (de baixo custo) ser “uma empresa financeiramente forte”, nomeadamente depois de ter ido “recentemente ao mercado” capitalizar-se, com os acionistas a terem “respondido de forma positiva a um aumento de capital”.

Já a presidente executiva (CEO) da TAP, Christine Ourmières-Widener, também presente no congresso, disse duvidar que seja possível não transferir para o consumidor parte da grande escalada dos preços do petróleo, que se refletem também no ‘jet-fuel’, o combustível para aviões.

“O que é seguro hoje em dia e que acredito verdadeiramente, é que o combustível – e talvez tenhamos uma posição diferente [de José Lopes] nisto – tem um impacto nos preços”, afirmou a CEO da TAP, acrescentando, nesta lógica, que “as previsões da indústria global são de aumento das tarifas, porque não há muitos instrumentos para cobrir o aumento do preço dos combustíveis”.

Um dos instrumentos trata-se de contratos de ‘hedging’ [compras futuras de combustível], política que ambos os responsáveis dizem estar a fazer, mas que será insuficiente para cobrir o atual aumento de custos.

“As companhias veem a recuperação lenta como uma oportunidade. Estamos a voar com 80% da nossa capacidade e a recuperação terá lugar passo a passo”, afirmou a responsável da companhia aérea de bandeira, ressalvando, no entanto, que “com um grande aumento do preço do combustível, nem mesmo uma boa política de ‘hedging’ poderá cobrir o aumento dos custos”.

Já sobre a recuperação na aviação, José Lopes lembrou que “globalmente a capacidade apenas será retomada em 2023” e que “os níveis de procura apenas serão retomados em 2024”, mas que está convencido que em Portugal a retoma será antecipada.

“Felizmente aqui em Portugal achamos que chegará antes. Em Portugal espero que já em 2022 a easyJet possa apresentar níveis pelo menos iguais a 2019, senão até superiores”, concluiu.

O Congresso promovido pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) contou com um número recorde de inscritos (quase 600), para um “reencontro” que a associação do setor quer que marque “o momento de ‘recomeçar’”, como disse a vice-presidente da AHP, Cristina Siza Vieira.

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