“Dificuldades para os migrantes redobraram”, avalia chefe da OIM em Portugal

Com a pandemia e a crise económica em vários países, Portugal continuou a receber muitos migrantes em 2021. Segundo o chefe do escritório da Organização Internacional para Migrações (OIM) em Lisboa, a nacionalidade brasileira é a que tem maior presença em território nacional. 

Em entrevista à ONU News, Vasco Malta contou que são pelo menos 185 mil brasileiros a residir em Portugal, mas o número real pode ser mais alto, já que o balanço oficial da entrada de migrantes em 2021 ainda não foi divulgado.

O responsável explica que muitas pessoas acabam numa situação de vulnerabilidade, principalmente os que estão irregulares. Segundo Malta, a alternativa para muitos acaba por ser voltar para casa.

“As pessoas migrantes em Portugal, muitas vezes desprovidas de qualquer ligação à comunidade, tiveram de facto ainda mais dificuldades, redobradas, quando a Covid aconteceu. E aqui falamos exatamente do nosso programa de apoio ao regresso voluntário e reintegração, onde as pessoas, na sua grande maioria, são de nacionalidade brasileira”, refere o responsável.

“Só para terem uma noção, as pessoas de nacionalidade brasileira correspondem entre 95% a 97% do apoio que damos a neste projeto, através do qual apoiamos uma família, uma pessoa, que não se integrou no nosso país e que queira voltar ao seu país de origem”, frisa.

Em 2021, a OIM ajudou 113 migrantes a regressarem a casa. Mas, muitos acreditam ainda na recuperação económica e preferem continuar em Portugal até poderem, de facto, iniciar seus projetos de vida.

Chegada de afegãos

Vasco Malta referiu que muitos britânicos decidiram fixar residência em território português desde que o Reino Unido deixou a União Europeia.

Atualmente, 46 mil britânicos moram em Portugal, sendo a segunda nacionalidade mais representativa no país. Malta fala também da presença de civis da Síria e do Afeganistão.

“No que respeita aos cidadãos afegãos e cidadãos sírios, temos aqui vários níveis. Estamos a falar de pessoas refugiadas, sendo que alguns dos movimentos, principalmente dos reinstalados e recolocados tiveram o apoio da OIM, para serem reinstalados ou recolocados aqui no nosso país. Depois tivemos também um conjunto de voos patrocinados diretamente pelo Estado português que permitiram, nestes últimos dois meses, trazer um número significativo de cidadãos afegãos ao nosso país, através de voos charter”, adianta.

Vasco Malta explica que a entrada de afegãos em Portugal foi uma ação do próprio Governo, mas o chefe do escritório da OIM acredita que cerca de 250 pessoas do Afeganistão estejam a residir em Portugal.

O representante acredita que 2022 poderá atrair ainda mais migrantes ao país e lembra que a OIM “estará sempre pronta para ajudar todos”.

Exit mobile version