Joalharia portuguesa cria portal para atrair novas oportunidades

A Associação da Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP) apresentou um portal digital coletivo das marcas portuguesas para atrair novas oportunidades de negócio e reduzir o esforço de investimento necessário à transição ‘online’ das empresas do setor.

Segundo adiantou o presidente da AORP, Nuno Marinho, a plataforma https://portuguesejewellery.pt pretende assumir-se como “o endereço digital da joalharia portuguesa, atraindo novas oportunidades tanto no segmento B2C [‘Business to Consumer’] como B2B [‘Business to Business’]” e rentabilizando o “enorme potencial para o negócio e internacionalização das marcas” que a migração digital representa.

De acordo com dados da associação, nos últimos três anos o registo de novas licenças para o comércio ‘online’ no setor aumentou exponencialmente, para um total de mais de 600 novos operadores (31 em 2017, 311 em 2018, 172 em 2019 e 97 até agosto deste ano).

“Num universo de cerca de 4.000 empresas, esta fatia representa mais de 15%, sendo que acresce sobre o universo de empresas já licenciadas para ‘e-commerce'”, destaca.

A AORP alerta, contudo, que “nem tudo o que reluz é ouro”, reconhecendo que “este é um caminho desafiante para as empresas do setor”. É que se por um lado a proliferação de lojas ‘online’ “torna o ambiente digital muito competitivo e exige um grande esforço de investimento por parte das marcas”, por outro a legislação aplicada ao ‘e-commerce’ de joalharia em Portugal “é muito complexa e restritiva, tornando as empresas portuguesas menos competitivas no ambiente digital do que as suas congéneres internacionais”.

A associação setorial decidiu assim criar uma plataforma digital coletiva de promoção internacional das marcas portuguesas, com venda ‘online’, à qual chamou “Portuguese Jewellery — Shaped With Love” e que quer ser “uma montra representativa da energia e diversidade criativa que caracteriza o setor, fortemente apoiada e alavancada pelas campanhas e ações de comunicação da AORP”. “Do sangue novo às marcas de luxo, passando pelas empresas que preservam as técnicas e desenhos tradicionais da ourivesaria portuguesa, tem como objetivo aproximar a joalharia portuguesa dos seus públicos, à escala global”.

Entre as principais vantagens que o portal trará às empresas aderentes, a associação destaca a promoção internacional, uma vez que a AORP “fará um trabalho intensivo de divulgação” do ‘website’ junto dos mercados-alvo, seja através de campanhas coletivas de promoção, seja em campanhas segmentadas e ‘showrooms’.

A possibilidade de chegar a novos públicos é outro dos trunfos avançados, nomeadamente o “atingir das novas gerações Y (Millenials) e Z, nativas digitais e altamente vocacionadas para o ‘e-commerce’ e comunicação através de canais digitais e das redes sociais”.

A exposição mediática (a plataforma servirá de canal de comunicação com os ‘media’ nacionais e internacionais, editores, ‘stylists’ e produtores), a confiança e segurança na compra ‘online’ (conferida pela chancela da AORP) e o acesso à análise de dados e estatísticas (já que o portal será também um barómetro de consumo, permitindo recolher informação relevante sobre o comprador ‘online’ e ajustar as estratégias ao seu perfil e comportamento) são outras das vantagens apontadas.

De acordo com a associação, o novo portal funcionará “através de uma estratégia de 360 graus”, centralizando os esforços de comunicação e fomentando sinergias e integração de ferramentas: Ativação nas redes sociais Instagram, Facebook, Pinterest, Linkedin, Youtube, promoção/publicidade nas redes sociais e ‘marketing’ direto através de ‘e-mail marketing’ e ‘SMS marketing’.

Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2018 as atividades de ourivesaria e relojoaria abrangiam um total de 3.942 empresas, tendo registado um volume de negócios de 1.049 milhões de euros e exportações de 208 milhões de euros, contra 169 milhões em 2015.

França, Espanha, Brasil, Hong Kong e Itália são os principais mercados de exportação da ourivesaria portuguesa, enquanto a relojoaria exporta sobretudo, por ordem de importância, para Hong Kong, Estados Unidos, Suíça, França e Emirados Árabes Unidos.

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