Megalancha da GNR encalhada em Carcavelos. “Os factos deram-nos razão”

Sete antigos responsáveis máximos da Marinha alertaram para os riscos de entregar este tipo de lanchas à GNR. Almirante Melo Gomes diz que podia ter acontecido um desastre.

O Almirante Melo Gomes diz que o incidente na praia de Carcavelos onde encalhou a nova megalancha da GNR que custou 8,5 milhões de euros veio dar razão aos alertas que fizeram todos os ex-chefes do Estado-Maior da Armada.

Em maio, Melo Gomes e outros seis antigos máximos responsáveis da Armada portuguesa fizeram uma carta aberta a avisar para a falta de meios da Marinha e para a duplicação de meios com o plano do Governo para reforçar a GNR com este tipo de megalanchas de 35 metros.

Os subscritores – que não incluíam apenas estes militares – manifestaram-se contra a “duplicação de capacidades” causada pela intrusão da GNR em alto mar e criticavam a política do ministério da Administração Interna.

À TSF, o Almirante Melo Gomes lamentou aquilo que aconteceu em Carcavelos, mas acrescenta que “aconteceu que não reconheceram a justeza das palavras que avisaram que navegar implica conhecimento, treino, tradição que a nossa marinha tem há mais de 700 anos”, admitindo que “os acontecimentos falam por si” e sublinhando que é fundamental decidir bem onde colocar os escassos recursos à disposição do país pois “dispersar recursos nunca foi uma boa política”.

O almirante sublinha ainda que, enquanto se faz este enorme investimento na capacidade marítima da GNR, na Marinha há falta de lanchas, navios, pessoal e renovação de equipamento.

“Infelizmente, os factos vieram dar-nos razão e numa esfera mais lata existe uma certa de arrogância de quem tudo sabe, pode e manda que nos pode conduzir a acontecimentos desastrosos”, afirma. Melo Gomes destaca que “felizmente este incidente marítimo aconteceu com mar chão, sem vento, porque se fosse no Inverno iria pôr em risco a vida das pessoas a bordo”.

O almirante, com décadas de experiência no mar, diz que não quer especular sobre as causas do incidente, mas afirma que o nevoeiro que se sentia no momento “não é razão suficiente”. “Até julgo que o navio tem dois radares”, conclui Melo Gomes.

 

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