Monumento oferecido à cidade de Bangor (EUA) por emigrantes portugueses em risco de ser retirado

O marco histórico do navegador português Estêvão Gomes, em Bangor, cidade no estado norte-americano do Maine, corre o risco de ser retirado pelos responsáveis públicos locais, segundo o “Correio da Manhã”.  A história dos Descobrimentos aponta para o comandante luso, como o primeiro europeu a aportar naquela região, em 1525, ao serviço da coroa de Castela. A próxima semana ficará marcada pelas primeiras discussões públicas para o desmantelamento do marco.

O monumento, uma cruz sobre o hemisfério norte e uma Rosa dos Ventos, está colocado num parque junto ao rio e foi uma oferta em 1999 de emigrantes portugueses ali residentes. Foi posto em causa após a morte de George Floyd às mãos da polícia, em Mineápolis, a 25 de maio deste ano. Manifestantes antirracistas – Floyd, negro, foi morto por um agente branco – contestam o monumento devido à ligação de Estêvão Gomes ao comércio de escravos.

Gomes terá capturado em Bangor 50 indígenas que levou no navio de volta para Castela. Terá tentando vendê-los como escravos, mas o rei Carlos V libertou-os.

Maulian Dana, embaixador da tribo índia Nação Penobscot, foi o primeiro a pedir, em junho, a retirada do monumento.

Estêvão Gomes nasceu no Porto, em 1483, e mudou-se já em adulto para Castela, ao serviço de quem navegou. Saiu na armada de Fernão de Magalhães para a primeira circum-navegação (comandava a nau San António), mas abandonou antes do estreito de Magalhães, regressando a Castela. Em 1524 descobriu a Nova Escócia, numa tentativa de encontrar uma passagem marítima, no Atlântico Norte, para a Índia. Mapeou, até à Flórida, toda a costa Leste dos atuais Estados Unidos. Acabou morto em 1538, por nativos, no atual Paraguai.

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