Museu da Moda e do Têxtil abriu em Vila nova de Gaia

Portugal conta com uma nova atração na região do grande Porto. O novo Museu da Moda e do Têxtil abriu portas em Vila Nova de Gaia, no quarteirão WOW, sigla para the World of Wine, o mundo do vinho.

O museu fica, claro, junto às caves de Vinho de Porto, embora a temática seja diferente, embora talvez complementar.

No primeiro piso do museu, onde se mostra e explica a indústria têxtil portuguesa, há curtas-metragens para contextualizar e sensibilizar os visitantes para esta arte essencial no dia o dia e que, à imagem de outras indústrias, tem de se adaptar às limitações do planeta.

“Falamos sobre a sustentabilidade, um tema que está em voga nos dias de hoje e que é muito importante. Há que formar as novas gerações para terem esse cuidado na compra dos artigos e na forma como consomem moda”, explicou Catarina Jorge, a coordenadora do Museu da Moda e do Têxtil, de Vila nova de Gaia.

O Segundo piso deste Museu da Moda e do Têxtil é dedicado aos criadores portugueses, dos nomes já consagrados à nova geração de criadores reconhecidos, mas também com espaço para as revelações da moda nacional. Foi um “trabalho hercúleo”, num ano de pandemia, executar a “construção, arquitetura de interiores, conteúdos e espólio” para o Museu da Moda e do Têxtil, que casa indústria têxtil e moda de autor.

Quem chegar ao primeiro piso depara-se com uma ‘timeline’ (linha do tempo), com os momentos cronológicos mais relevantes da história da indústria têxtil portuguesa, desde o século XVI até à atualidade.

O visitante descobre também um tear de lançadeira dos anos de 1910, anúncios luminosos alusivos a fábricas têxteis antigas, sementes de linho e espólios das antigas fábricas Têxtil Riopele e da Têxtil Manuel Gonçalves, nos quais se pode observar canelas de fio, medidores de tensão de fios, máquinas de debuxo, amostras de tecido e um livro de tendências.

Ainda no primeiro piso do Museu da Moda há várias oficinas e uma montra, revelando os processos produtivos desde a fiação, debuxo, tecelagem, tinturaria, até à confeção e montra.

O segundo piso é dedicado à moda de autor, portuguesa, ao calçado nacional e à arte da filigrana (uma arte portuguesa de soldar finos fios de metal, de forma a compor um desenho).

Ali, o visitante vai poder apreciar peças icónicas de ‘designers’ portugueses, desde os anos 80 do século passado, até aos dias de hoje.

Há um espaço dedicado aos ‘designers’ portugueses pioneiros na moda atual, em que se destacam trabalhos de Eduarda Abbondanza e Mário Matos Ribeiro, Ana Salazar, José António Tenente, João Tomé e Francisco Pontes ou Manuela Gonçalves.

Depois descobre-se uma sala dedicada aos criadores de moda portuguesa, consagrados nacional e internacionalmente, onde se podem apreciar trabalhos de ‘designers’ como Miguel Vieira, Luís Buchinho, Nuno Baltazar, Fátima Lopes, Maria Gambina, Filipe Faísca, Luís Carvalho, Anabela Baldaque, Diogo Miranda, Hugo Costa, Alexandra Moura, Ricardo Preto e Carlos Gil, entre muitos outros.

Existe ainda, também, um espaço dedicado aos jovens ‘designers’ emergentes, descobertos através das plataformas ‘Bloom’ e Sangue Novo, dos eventos de moda Portugal Fashion e Moda Lisboa, respetivamente, como por exemplo os ‘designers’ Estelita Mendonça e Gonçalo Peixoto.

O setor do calçado não foi esquecido e existe também um espaço onde se exibe uma linha de montagem de calçado feminino e masculino, desde o esboço, com vários desenhos em papel, até à materialização, e cujo material foi cedido pelos ‘designers’ Luís Onofre e Carlos Santos, e pelo Centro Tecnológico do Calçado em Portugal.

Um dos destaques da coordenadora do projeto do Museu da Moda recaiu numa sala de “curiosidades de moda portuguesa”, onde pode ser descoberto, por exemplo, um par de ‘chinelos peixe’, em borracha, da ‘designer’ Lidija Kolovrat, um medidor de bainhas ‘vintage’, peças para abrir costuras, uma peruca de porcelana de Nuno Gama, um colar de concha e osso, com aplicação de cristais de Ricardo Preto, uma mochila em malha, de Susana Bettencourt, e sapatilhas produzidas com cabelo natural e artificial, de Olga Noronha, entre outras ‘curiosidades’.

Catarina Jorge sublinhou que a sustentabilidade e a reciclagem no mundo da moda e do têxtil foram também objeto de reflexão naquele novo museu, porque, defende, há que “formar as novas gerações para terem o cuidado na compra dos artigos”, e na forma como “consomem moda”.

O Museu da Moda e do Têxtil, desenhado pelo arquiteto Vitor Miranda com o Studio Astolfi, está incluído num projeto maior, composto por mais cinco museus – Museu do Vinho, Museu sobre a Região do Porto, Museu da Cortiça, Museu do Chocolate e o Museu sobre o ritual da bebida.

Todos os seis museus são banhados pelo Rio Douro e estão edificados no novo quarteirão de Gaia designado por WOW (‘World of Wine’), em plena zona histórica da cidade de Vila Nova de Gaia, cujo valor do investimento total ronda os “106 milhões de euros”, disse responsável pelas Relações Públicas do projeto.

O Museu da Moda e do Têxtil, tal como os restantes museus do WOW, estão a realizar protocolos com escolas da região com o objetivo de “promover o conhecimento” e “trazer visitantes aos museus”, conta Catarina Jorge, referindo que ainda este ano letivo será possível mobilizar estudantes das escolas para virem visitar o novo equipamento.

“O ideal é virem visitar para perceber toda a complexidade e toda a densidade de conhecimento que temos no museu”, diz orgulhosa por, durante o ano da pandemia, ter sido possível erguer o novo Museu da Moda e do Têxtil.

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