Na África do Sul vivem-se dias de luto e desespero

Vive-se o caos na África do Sul. O medo do aumento da escassez de alimentos e combustíveis levou milhares de sul-africanos a procurarem abastecer-se e a situação é cada vez mais complexa.

Com estradas e ligações ferroviárias bloqueadas, ou não seguras, várias regiões poderão “em breve ficar sem bens de primeira necessidade”: alimentos, combustível e medicamentos devido a dificuldades de abastecimento, alertava o gabinete do Presidente do país, Cyril Ramaphosa.

A violência, associada a pilhagens e destruição de propriedade pública e privada, já fez dezenas de mortes. Mais de 1200 pessoas foram detidas.

O país está em estado de sítio com mais de 5000 polícias e militares na rua, a tentarem controlar a situação. Entretanto a ministra da Defesa já apresentou um pedido para o destacamento de cerca de 25.000 efetivos para as áreas afetadas, entre elas Kwazulu-Natal e Joanesburgo.

Em alguns bairros, os residentes organizaram-se para garantir a segurança das suas lojas. Formaram cadeias humanas para proteger também os centros comerciais, levando a incidentes violentos. As autoridades pedem que não se faça “justiça com as próprias mãos”.

Os primeiros incidentes ocorreram um dia depois da prisão do ex-presidente Jacob Zuma, condenado a 15 meses de prisão por desrespeito a um tribunal. A gota de água num país que atravessa uma gravíssima crise económica, agravada pela pandemia de Covid-19 e onde a taxa de desemprego ultrapassa os 32 por cento.

Nas redes sociais, responsáveis do departamento dos Transportes sul-africano escreviam que a maioria dos cidadãos do país se opõem ao que está a acontecer e apelavam a que se permanecesse unidos para “restaurar a paz” no país.

Para os milhares de portugueses que vivem na África do Sul, Berta Nunes, secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, apelou esta semana para “a máxima precaução” e para que a comunidade portuguesa “siga as recomendações das autoridades” e aconselhou a não se dirigirem ao consulado em Joanesburgo, uma vez que está encerrado.

“Está encerrado no sentido de evitar que as pessoas se dirijam ao consulado, porque a recomendação que nós estamos a dar à comunidade é que evitem deslocações”, apontou, detalhando que foi também feito o apelo para, caso consigam, os elementos da comunidade portuguesa não abram os comércios “em zonas mais complicadas”.

Entretanto o embaixador de Portugal está a dirigir uma carta a toda a comunidade para dar algumas orientações à comunidade portuguesa e, “se tiverem necessidade de ajuda, devem utilizar o Gabinete de Emergência Consular” ou contactar o telefone de emergência do consulado de Joanesburgo, acrescentou Berta Nunes.

A governante referiu que neste momento “é preciso ter calma, evitar sair de casa nas zonas onde existem esses distúrbios, se possível evitar também abrir os comércios nas zonas mais complicadas e, como o Governo está a tomar as medidas para normalizar a situação”, também o executivo português irá “acompanhar de perto”.

“Esperamos que muito em breve toda esta situação esteja resolvida”, concluiu.

Estima-se que mais de 30 mil portugueses vivam na Cidade do Cabo.

 

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