“Noah é um pequenino Tarzan e foi isso mesmo que o salvou”

Comunidade de Proença-a-Velha aliviada com o achamento de Noah, o menino que saiu de casa sozinho e esteve desaparecido 36 horas.

“Ninguém esperava isto, nem nós” – e Armindo Jacinto, o presidente de câmara da vila portuguesa de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, abre os braços para o sol e deixa-se a sorrir. “Foi um momento de grande felicidade, quase inédito nestas situações de desaparecimentos”. Mas o final feliz, e no qual a resiliência foi protagonista, dirá o autarca, não sucedeu por acaso.

Idanha é o quarto município mais extenso de Portugal, com 1 416,34 km² de área, mas apenas com 9 716 habitantes. O seu vasto e belo território florestal e agrícola está cheio de vazio, e aqui abundam campos e montes de oliveiras, sobreiros, eucaliptos e pinheiros-bravos, que se estendem pontilhados por quilómetros adiante sem que se veja vivalma debaixo do céu.

Os seus sustentos centrais são a pastorícia e a agricultura, com grande produção de azeite em lagares, e um investimento peculiar na permacultura, o sistema de cultivos inspirado nos ecossistemas naturais que causam reduzido impacto ambiental e que estão a atrair muitos estrangeiros, sobretudo britânicos e holandeses, que adotam um estilo de vida alternativo e natural.

Foi justamente “essa comunhão permanente com a natureza que salvou o Noah”, diz Armindo Jacinto. O menino de dois anos e meio saiu de casa sozinho manhã cedo de quarta-feira, pretendia ir ao encontro do pai, que já trabalhava no campo junto a casa, perdeu-se e continuou a caminhar, caminhou muito, esteve desaparecido 36 horas na floresta, e foi encontrado por populares, ao início da noite do dia seguinte, a cerca de quatro quilómetros de casa.

“Noah é um menino especial, Noah é um pequenino Tarzan e foi isso que o salvou”, explica Armindo Jacinto.

“Ele está muito adaptado ao campo, está habituado a viver na natureza, a natureza é a sua casa, ele nasceu e cresceu neste meio envolvente protetor. E vive bem sem amarras, como a sua família, que é uma família que vive em comunhão e paz e que é muito querida por aqui”, diz o autarca de Idanha-a-Nova. E depois repete o epíteto da moderna tradição mitológico-literária dos heróis criados em meio natural. “É um Tarzan dos pequeninos, um pequenino herói que superou e recuperou da adversidade de se ter perdido e que nos encheu a todos de felicidade quando reapareceu”.

A presidente da Junta de Proença-a-Velha, Helena Silva, fala em “horas avassaladoras e inéditas” vividas pela comunidade da pequena freguesia histórica de Idanha que tem menos de 200 habitantes. E aponta a rapidez com que tudo mudou de repente. “Passamos do medo e da angústia, que foram avassaladores, o menino ainda esteve desaparecido mais de 30 horas, já se esperava o pior, para o alívio de uma felicidade extrema de uma história que acabou bem. O Noah foi encontrado e está vivo, já está com os seus, e está aparentemente bem”.

A criança, de acordo com o Hospital de Castelo Branco, onde está internada por precaução desde quinta-feira à noite, está livre de perigo de vida, sofreu apenas pequenas escoriações, sobretudo arranhões nas pernas, e estava faminta e desidratada, mas já repôs os seus níveis de nutrição. No entanto, manter-se-á em vigilância o resto do dia na unidade hospitalar.

Fuzileiros recrutam Noah: “Quando tiveres 18 anos, caso queiras concorrer”

Noah, o menino de dois anos e meio que foi dado como desaparecido e encontrado trinta e seis horas depois em Proença-a-Velha, está a ser “recrutado” para os Fuzileiros.

A brincadeira surgiu na página de Facebook da Marinha Portuguesa, que publicou esta sexta-feira uma imagem de uma folha de inscrição e um pequeno texto: “Quando tiveres 18 anos, caso queiras concorrer”.

“Noah, aqui fica a folha de inscrição para os Fuzileiros, quando tiveres 18 anos, caso queiras concorrer”, pode ler-se na publicação na página de Facebook da Marinha Portuguesa.

Aquela força armada acrescenta ainda que o pequeno Noah pode mais tarde “vir a fazer parte do Destacamento de Ações Especiais, onde as táticas de sobrevivência são fundamentais”. Na simulada ficha de inscrição, lê-se o feito impressionante da criança, em junho de 2021: “Com apenas dois anos e meio esteve 36 horas sozinho numa zona de mato junto a um rio”.

“Entretanto, aproveita com a família a tua infância. Todo um país ficou muito feliz com o teu regresso, são e salvo”, concluiu a Marinha Portuguesa.

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