O grande salto de Portugal nas qualificações académicas

Paulo Pisco

O 23º Congresso do PS, que se realizou em Portimão no final de agosto, foi um poderoso mobilizador para as eleições autárquicas que se avizinham. Daí que muitos dos candidatos a câmaras e freguesias tenham aproveitado o palco de Portimão para apresentar as suas visões para os concelhos onde são candidatos e também para beneficiar do entusiasmo e otimismo que se viveu no congresso.

Mas o encerramento do congresso do Partido Socialista foi bastante poderoso por um conjunto de outras mensagens que o secretário-geral e Primeiro-ministro, António Costa, aproveitou para apresentar, dirigidas essencialmente, às famílias, aos jovens e às perspetivas de desenvolvimento futuro.

Considero particularmente relevante as referências que fez à evolução que nos últimos 25 anos se registou no nosso país, desde o tempo em que o então primeiro-ministro António Guterres exprimiu a sua paixão pela educação. E a verdade é que houve uma evolução notável ao nível das qualificações dos portugueses que vale a pena conhecer, para que tenhamos melhor a consciência do percurso que foi feito.

Há 25 anos atrás, apenas 45,1% dos jovens entre os 20 e os 24 anos tinham o ensino secundário completo. Hoje, esse número passou para 85,3 por cento, um percurso notável que merece ser assinalado, porque é pela formação que o país se desenvolve e cria melhores condições de vida.

Já no que diz respeito ao ensino superior, há 25 anos apenas 13,4 por cento dos adultos com idades entre os 25 anos e os 34 anos tinha completado os estudos superiores. Hoje, a percentagem mais do que triplicou e são 41,9 por cento os adultos que os concluíram. Que grande caminho percorreu o país e como isto é importante para termos uma sociedade mais dinâmica, criativa e inclusiva. Melhor formação é garantia sempre de melhores salários, melhor qualidade de vida e mais oportunidades.

Aquele que sempre foi um dos nossos maiores défices, o da educação, apresenta hoje valores quase ao nível dos da União Europeia e representa uma das maiores mudanças estruturais que o país teve. Mas é preciso continuar este esforço para aumentar a percentagem de jovens com o ensino superior completo e apostar na formação. E António Costa está bem consciente disso, como o demonstrou em Portimão.

No passado, na sequência da crise de 2008, assistimos também à emigração dos jovens qualificados, que na altura chocou o país pelo facto de ter sido, inclusivamente, incentivada pelo primeiro-ministro de então, Passos Coelho. Hoje o Programa Regressar, que António Costa também anunciou que seria prolongado, tem trazido de volta ao país muitos desses jovens que então partiram empurrados pela crise económica e financeira e pela falta de oportunidades.

E é precisamente isto que o Primeiro-Ministro disse que não quer que se repita, isto é, que, depois do extraordinário investimento do país e das famílias na formação dos seus filhos, eles tenham de novo de partir à procura de melhores oportunidades. E por isso disse que, uma das primeiras prioridades da ação do Governo agora será agora garantir que esta geração altamente qualificada tenha todas as condições para continuar a viver e trabalhar em Portugal.

E, de facto, este tem de ser um dos desígnios estratégicos do país.

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