Olivença. “O que fica da presença portuguesa é o património, a pedra é o que resiste”

Os oliventinos podem pedir a nacionalidade portuguesa desde 2014 e já receberam o envelope para votar nas legislativas. O português aprende-se na escola, mas também se esquece. O sentimento fala alto para os mais velhos, para os mais novos é uma questão funcional.

O que é que vos levou a escolher o português?” É a pergunta de Rocio Garcia aos seus alunos do 9.º ano da Escola Secundária Ponte da Ajuda, em Olivença. Os adolescentes de 14 anos respondem: “As nossas origens”, “tenho família portuguesa”, “somos vizinhos”, “É mais fácil”, “siiiimm”. Tudo respostas válidas para as crianças do concelho e que aprendem a língua desde cedo.

Mas no secundário é optativa (a par do francês) e é escolhida por 85% a 90 % dos alunos, garante a professora. Na maioria das vezes não a levam para o futuro, mas há cada vez mais oliventinos a pedir a nacionalidade portuguesa. São 1300 e muitos potenciais eleitores.

Rócio Garcia, natural de Cáceres, 40 anos, conta que é uma apaixonada por Portugal, país onde já viveu sete anos. Residia em Lisboa e dava aulas de espanhol a adultos. A sua formação é em Filologia Portuguesa, curso que tirou há 20 anos na Universidade da Estremadura, em Badajoz.

“Era uma especialidade nova e começou pelo meu interesse pelas questões transfronteiriças. Adorei”. Defende: “Os espanhóis devem saber comunicar em português quando vão a Portugal, não o contrário, serem os portugueses a perceber o espanhol”.

Acabou por continuar a carreira de professora de português em Olivença, que até 1801 era portuguesa. Encontra nestes alunos uma maior aptidão para a aprendizagem da língua. “Acompanham muito melhor. Se perguntar o que é um gafanhoto todos sabem, ao contrário de outras terras onde só conhecem o nome “salta montes”. Há palavras e uma sonoridade diferente em Olivença, têm o ouvido mais apurado para o português”.

Segundo o alcaide de Olivença, Manuel González Andrade, do PSOE e que vai no segundo mandato, há 1200 estudantes entre a primária e o ensino secundário. Cerca de 800 aprendem português, diz a professora. Além, de Rocio, há mais três docentes da língua portuguesa, dois de inglês e um leitor que também ensinam português.

“Em Olivença, além dos alunos terem português no currículo, como todos os estabelecimentos de ensino da Estremadura, temos a particularidade de ter no colégio público uma disciplina bilingue português/espanhol na infantil. É caso único na comunidade autónoma, para os meninos e meninas de 3 a 5 anos. E a autarquia disponibiliza um professor de português para quem quiser aprender”, explica o alcaide. Continuam a percorrer etapas para que o português oliventino seja declarado “bem de interesse cultural”. Um dialeto com muitas semelhanças ao alentejano.

 

Leia a reportagem do DN na íntegra, aqui.

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