Portugal é dos países menos dispostos a pagar por notícias online

Portugal é dos países, a nível mundial, que regista uma das proporções mais baixas (7%) de pagamentos por notícias «online», uma avaliação que é liderada pela Noruega e pela Turquia, segundo um estudo do OberCom.
Entre os quase 40 países analisados nesta categoria, no estudo “Impacto do ‘branding’ e conteúdos patrocinados no jornalismo”, em Portugal 7% das pessoas pagam por notícias disponíveis na internet, apenas à frente da Croácia, onde a proporção se fixa em 6%.
No mesmo patamar que Portugal figuram países como a Grécia, Hungria, Chile ou República Checa. Já a liderar a tabela surgem a Noruega e a Turquia, ambos com 34%.
«Não obstante os índices estruturalmente baixos de pagamento por notícias digitais um pouco por todo o mundo, países como Noruega e Turquia acabam por se destacar», lê-se no estudo do Observatório da Comunicação (OberCom).
De acordo com o mesmo documento, no caso do país escandinavo, trata-se «de uma realidade mediática que combina marcas históricas bastante consolidadas por todo o país, como um serviço público de media que investe fortemente em inovação a nível de conteúdos e modelos de negócio, para além dos elevados níveis de literacia digital».
Entre 2018 e 2019, a proporção de noruegueses que pagou por notícias em formato digital aumentou quatro pontos percentuais de 30% para 34%.
Por sua vez, no caso da Turquia, «observa-se uma situação diferente, mas extremamente relevante pela sua ligação à própria situação política do país».
Assim, «com o partido de Tayyip Erdogan a exercer um controlo sistémico sobre os media nacionais» e com os investidores particulares próximos do Governo «a estabelecerem-se como proprietários dos meios privados», as fontes de notícias ‘online’, algumas pagas, tornam-se numa «alternativa muito importante» na disseminação de conteúdos e opiniões alternativas às do regime em vigência.
«Estamos, portanto, perante uma situação em que a prática de pagamento por notícias em formato digital é fortemente incentivada por razões políticas», aponta o documento.
Para a realização deste estudo foi aplicado um inquérito a cerca de duas mil pessoas em cada um dos 38 países considerados.
O OberCom é uma associação sem fins lucrativos, cujo trabalho está centrado na análise do mundo digital e dos media

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