Açoriano faz comédia em português nos Estados Unidos com referências da Terceira

O açoriano Hugo Brito, que emigrou da ilha Terceira para os Estados Unidos da América (EUA) quando tinha 11 anos, criou um espetáculo de comédia totalmente em português para a comunidade luso-americana com a personagem Vavó Brito.

“A minha audiência é mesmo pessoas que falam português”, disse o comediante. “Pode haver um filho ou um neto, mas têm que perceber a língua portuguesa, senão não vão entender o meu espetáculo”, acrescentou.

Depois de atuar em abril no Festival Português do Vale de São Joaquim, na Califórnia, Hugo Brito viajou até Toronto em maio para um espetáculo esgotado no salão da Irmandade do Divino Espírito Santo de Santa Helena.

“O espetáculo no Canadá foi o meu favorito até agora, uma experiência fora do normal”, afirmou. “Fez-me ver a importância que o que eu faço tem na comunidade”.

A inspiração para a Vavó Brito surgiu das personagens que o pai e o padrinho faziam no Carnaval da Terceira. “Levei-a para o Facebook e criei-a da maneira que imaginava que fosse real, de onde é, quantos filhos tem”, explicou o açoriano.

Hugo Brito, de 23 anos, criou esta personagem na fase inicial da pandemia de covid-19, quando o trabalho que estava a preparar com o trio de comediantes The Portuguese Kids ficou em suspenso por causa do confinamento.

“Comecei a fazer transmissões ao vivo no Facebook e as pessoas começaram a gostar muito, ganhei uma audiência”, referiu, sobre a experiência na rede social. A partir daí, começou a ser convidado para fazer apresentações ao vivo em restaurantes e clubes ligados às comunidades portuguesas, como o restaurante The Pearl, em Taunton, e o clube Amigos da Terceira.

“Fui um dos primeiros comediantes a fazer espetáculos no tempo da pandemia”, lembrou. “Foi uma coisa difícil e sinto-me orgulhoso de o poder ter feito, e ter posto um sorriso na cara das pessoas, principalmente num tempo como aquele”.

Com a evolução da personagem, os ‘shows’ são agora uma mistura entre ‘stand-up’ e improvisação. “Envolvo muito a audiência”, contou o comediante. “Envolvo tradições da minha ilha, faço a dança do Carnaval, puxo do pandeiro. O meu pai veste-se de touro e faço uma pega”.

O nome, explicou, tem a ver a forma como muitas crianças na comunidade luso-americana chamam às avós portuguesas.

“Os netos na comunidade portuguesa nunca dizem avó, dizem vavó. Como a personagem tem netos na América, pus o nome Vavó Brito”, salientou. “Muita gente diz que estou enganado e não se escreve vavó, mas é parte da personagem”.

Outro exemplo específico, que se vê nas ‘t-shirts’ temáticas que o comediante vende, é a adaptação da ortografia da palavra “velhaca”. “Escrevemos valhaca, para as pessoas lerem como dizemos”, explicou.

Hugo Brito considera que a audiência consegue identificar-se consigo e um dos motivos para o sucesso da sua comédia é ser diferente do que já existe, que é quase sempre em inglês.

“Ninguém trouxe uma personagem tradicional da ilha Terceira, uma idosa, e pôs nas redes sociais a fazer comédia”, indicou. “É uma coisa diferente e as pessoas estão a gostar disso”.

Por outro lado, as referências às tradições são apelativas. “Se as pessoas podem ver o Carnaval todos os fins de semana, é uma razão pela qual gostam da minha personagem”, disse. “Quando faço o espetáculo faço-as lembrar do Carnaval da ilha Terceira”.

Acessível nas redes sociais como “The Brito Comedy”, o próximo espetáculo é em Stevinson, Califórnia, em 16 de junho, seguido de uma angariação de fundos no Massachusetts e um possível regresso ao Canadá.

A estudar Comunicação, Hugo Brito tem como um dos grandes objetivos apresentar a sua personagem nos Açores. “Se puder fazer comédia a tempo inteiro não vou dizer que não”, disse. “Fazer comédia portuguesa a tempo inteiro é difícil, mas estou no bom caminho”, considerou.

 

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